Estudantes da Faculdade de Estudos Sociais (FES) têm sete trabalhos aprovados para apresentação oral no XXVIII Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente (Engema) da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). O evento ocorre de 30 de novembro a 04 de dezembro, na sede da USP, em São Paulo.
De acordo com a professora Michele Aracaty, o resultado representa a qualidade do ensino da Ufam tanto na graduação quanto na pós-graduação. “A participação da Ufam no Engema é fundamental para colocar a Amazônia no centro dos debates globais sobre sustentabilidade, bioeconomia e desenvolvimento regional. Neste ano, a parceria se fortalece ainda mais: além dos estudantes de graduação, contaremos com a participação de docentes e discentes do recém-criado Mestrado em Economia Aplicada”, conta.
Raquel Cézar Machado é a autora do artigo sobre o cacau amazônico e a regulamentação europeia, que também será apresentado no evento da USP. “Eu me senti valorizada em ver um artigo produzido no mestrado Ufam/ Tribunal de Contas do Estado Amazonas sendo reconhecido em um encontro Internacional na USP”, comentou.
A pesquisa de Raquel analisa as potenciais consequências do Regulamento (UE) 2023/1115 (EUDR) sobre as exportações de cacau de Medicilândia, Uruará, Altamira e Placas (PA), grandes produtores nacionais, e de Borba e Nova Olinda do Norte (AM). Aplicável a partir de dezembro de 2026, o regulamento exige a ausência de desflorestação após 2020, cumprimento da legislação ambiental, trabalhista, fundiária e indígena e diligência devida com geolocalização das parcelas. Diante da predominância da produção familiar, o trabalho busca identificar desafios de adequação e subsidiar políticas que evitem a exclusão desses produtores do mercado europeu. “O Engema é um encontro internacional de gestão empresarial e meio ambiente, e existe a temática Amazônia. E escrever um artigo que aborda a cadeia produtiva do Cacau na Amazônia e as potenciais consequências do regulamento europeu (medidas não tarifárias) que regulam o consumo pela União Europeia é um tema que conversa diretamente com o propósito do Evento”, revelou.
Bianca Queiroz de Oliveira, cursa o 4° período de Ciências Econômicas, e com o seu primeiro artigo submetido já obteve a aprovação para um evento do porte do Engema. “Significa um avanço para mim e para o desenvolvimento regional endógeno do Amazonas — um progresso que podemos alcançar por meio de pesquisas científicas, como no meu caso. Trazer como tema do artigo a forma como a Tokenização de Ativos pode ajudar no financiamento desse desenvolvimento e ver essa ideia reconhecida com a aprovação me dá ainda mais vontade de estudar e pesquisar sobre o assunto, visando ao seu avanço em benefício da sociedade”, disse. “A formação que estou recebendo pela Universidade, pelos professores e por tudo que me é oferecido evidencia que podemos gerar muito mais temas, ideias e inovações. Tudo parte da nossa vontade de estudar sobre algo e se conectar com a prática por meio das oportunidades que nos são dadas durante a graduação”, completou.
Confira todos os trabalhos que irão participar do Engema 2026:
1) CAFÉ DE AÇAÍ: UMA ABORDAGEM SUSTENTÁVEL PARA O APROVEITAMENTO DO CAROÇO DO AÇAÍ NA AMAZÔNIA.
Autores: Michele Lins Aracaty e Silva e Carlos Alberto Guedes da Silva Júnior.
O açaí (Euterpe sp.) consolidou-se como um dos principais produtos da sociobiodiversidade amazônica, desempenhando papel relevante na economia regional e demais mercados. Contudo, o crescimento acelerado do consumo intensificou a geração de resíduos sólidos, especialmente os caroços, que representam aproximadamente 80% do volume do fruto processado. Em grande parte das cidades amazônicas, o descarte inadequado desses resíduos provoca impactos ambientais, sanitários e logísticos, elevando custos públicos de limpeza urbana e contribuindo para problemas de poluição e manejo de resíduos.
2) TOKENIZAÇÃO DE ATIVOS COMO INSTRUMENTO DE FINANCIAMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL ENDÓGENO DO AMAZONAS.
Autoras: Michele Lins Aracaty e Silva e Bianca Queiroz de Oliveira.
O avanço de tecnologias emergentes, como a blockchain e os ativos digitais, tem reconfigurado a forma como recursos financeiros são estruturados, negociados e distribuídos em escala global. Nesse contexto, a tokenização de ativos desponta como um instrumento capaz de ampliar a liquidez, a transparência e a acessibilidade a mercados historicamente restritos, com potencial de aplicação em contextos regionais marcados por desigualdades estruturais de financiamento — como é o caso do Amazonas.
3) MANAUS CAPITAL DA FLORESTA E QUASE SEM ÁRVORES.
Autora: Michele Lins Aracaty e Silva.
É difícil imaginar Manaus, localizada no coração da maior floresta tropical do planeta, em desarmonia com a floresta, mas é isso mesmo. A capital do Amazonas é uma cidade urbanizada com características industriais pensada sob a lógica colonial, seguindo o modelo europeu com ruas estreitas, poucas calçadas e construções geminadas: um contraste com o natural e a biodiversidade regional. A realidade da capital da floresta é de colapso, pois somente 44,8% da área urbana de Manaus possui cobertura arbórea (Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
4) CACAU AMAZÔNICO E REGULAÇÃO EUROPEIA: AS POTENCIAIS CONSEQUÊNCIAS DO EUDR NAS EXPORTAÇÕES DOS MUNICÍPIOS PRODUTORES DO PARÁ E DO AMAZONAS.
Autora: Raquel Cézar Machado.
A pesquisa evidencia que o cacau pode contribuir para a restauração produtiva de áreas alteradas na Amazônia, mas o EUDR impõe exigências de due diligence, geolocalização e marco temporal que divergem das normas brasileiras e elevam custos para microlotes familiares. A ausência de rastreabilidade nas bases públicas amplia o problema hoje.
5) DESIGUALDADES REGIONAIS NO ABASTECIMENTO DE ÁGUA POTÁVEL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DO AMAZONAS FRENTE AOS DEMAIS ESTADOS BRASILEIROS A PARTIR DOS INDICADORES DO SINISA 2024.
Autor: Igor Oliveira Bastos.
O artigo analisa as desigualdades no abastecimento de água potável no Brasil, comparando o Amazonas aos demais estados com base nos dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). O estudo mostra que o estado tem cobertura próxima da média nacional e bom desempenho financeiro, mas recebe investimentos em infraestrutura muito inferiores aos de outras unidades da federação.
6) CAPACIDADE FISCAL E DESEMPENHO EDUCACIONAL NOS MUNICÍPIOS DO AMAZONAS: EVIDÊNCIAS PARA O PERÍODO 2013–2023.
Autora: Vivianny Karol Fernandes dos Santos.
O estudo analisa a relação entre a capacidade fiscal municipal e o desempenho educacional nos municípios do Amazonas entre 2013 e 2023, excluindo a capital Manaus. A pesquisa aponta que os governos locais enfrentam uma forte dependência de transferências financeiras externas e uma baixíssima autonomia para gerar receitas próprias. Os dados revelam assimetrias econômicas marcantes não apenas em relação a Manaus, mas também entre os diferentes municípios do interior do estado. Surpreendentemente, a análise estatística demonstra que o volume de recursos per capita não possui correlação significativa com a qualidade da educação medida pelo Ideb. Em contrapartida, o grau de autonomia fiscal apresenta uma associação positiva com o desempenho escolar, sugerindo que a capacidade institucional e administrativa dos gestores locais é um fator determinante para o sucesso das políticas públicas educacionais.
7) MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DESEMPENHO FISCAL MUNICIPAL: UMA ANÁLISE MULTIVARIADA DOS MUNICÍPIOS DO AMAZONAS.
Autores: Yunier Sarmiento Ramírez, Andreia Brasil Santos, Felipe Soares Esteves, Sergio Augusto Meleiro da Silva e Yadira Perez Cutino.
A pesquisa busca identificar perfis climático-fiscais dos municípios do Amazonas, combinando as condições hídricas, mensuradas pela anomalia padronizada do Palmer Drought Severity Index (PDSI), com o grau de dependência de transferências correntes. Por meio de análise de clusters e de análise multivariada de variância (Manova), o estudo avalia se os grupos formados diferem quanto à receita corrente per capita, ao investimento público per capita e à margem fiscal. O trabalho pretende oferecer subsídios para políticas territoriais de desenvolvimento, adaptação e fortalecimento da capacidade fiscal compatíveis com a sustentabilidade ambiental.
Ufam tem sete trabalhos aprovados para evento da USP
Estudantes da Faculdade de Estudos Sociais (FES) têm sete trabalhos aprovados para apresentação oral no XXVIII Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente (Engema) da Faculdade de Economia, Administra...

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