Um curso gratuito de qualificação profissional ofertado pelo Campus Bento Gonçalves, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), tem feito a diferença na vida de imigrantes e refugiados que vivem na Serra Gaúcha. Desde 2013, o Curso de Extensão em Língua Portuguesa já capacitou 722 pessoas de diferentes nacionalidades.

A capacitação dura cerca de cinco meses e ocorre em formato presencial, com carga horária de 30 horas e aula uma vez por semana, no turno noturno. Podem se inscrever pessoas oriundas de contextos de migração forçada, de qualquer nacionalidade, com idade a partir de 18 anos e com algum nível de proficiência em língua portuguesa. A coordenadora do curso, Carina Fior Postingher Balzan, explica que o perfil de estudante que mais procura o curso é de nacionalidade haitiana, com idade entre 20 e 40 anos, do sexo masculino.

Nos últimos anos, as turmas também têm sido preenchidas por pessoas de países como Venezuela e Cuba e maior público feminino. Nacionais de países como Bangladesh, Síria, Senegal, Paquistão, Iraque, Guiné e Gana também já passaram pelo curso de nível básico, que ensina comunicação oral, leitura e escrita em português.

Um deles é o haitiano Enselot Joachin, que concluiu a formação em 2015 e, desde então, conseguiu construir uma trajetória de estudos no IFRS. "O curso de português foi muito gratificante para mim, depois dele eu consegui fazer o Enem e o Encceja, até entrar no ensino superior no Campus Bento Gonçalves, onde me formei como Tecnólogo em Horticultura. O curso me ajudou bastante e a muitos haitianos também", disse o estudante.

Marie Gaou Guilavogui, de Guiné, acredita que a formação é muito importante para imigrantes que chegam ao Brasil sem saber se comunicar na língua portuguesa. "Vale ressaltar que a importância e os benefícios desse curso não se limitam apenas a obter o certificado, ele vai muito além, pois nos permite adquirir uma certa autonomia e independência no nosso dia a dia, tanto na oralidade como na escrita", afirmou a aluna.

Além do aprendizado da língua, o curso estimula a autonomia, profissionalização e cidadania entre os imigrantes e refugiados, que conseguem obter documentos, estudar e trabalhar no país a partir da compreensão básica do idioma. O objetivo da capacitação é promover um aprendizado do português que permita aos sujeitos comunicarem-se em situações cotidianas de interação social, como se apresentar, pedir informações, locomover-se pela cidade, fazer compras, procurar emprego, providenciar documentação e acessar os serviços públicos de assistência social, saúde e educação.

Os interessados devem se inscrever pelo formulário eletrônico disponibilizado no site do Campus Bento Gonçalves, documento que é traduzido para outras línguas (inglês, espanhol e francês) a fim de facilitar o preenchimento. São ofertadas duas turmas presenciais anuais, uma por semestre, e cada uma delas recebe 35 pessoas.

Iniciativa – A ideia de implementar o curso surgiu no ano de 2013, com o grande fluxo de imigrantes haitianos no município de Bento Gonçalves que, devido ao terremoto que devastou o país em 2010, migraram para o Brasil com a perspectiva de recomeçar a vida. Foi a partir desse contexto que o campus, enquanto instituição de ensino comprometida com as demandas regionais, deu início às primeiras ações voltadas a esse público.

Outras ações – Além do curso de extensão, o Campus Bento Gonçalves realiza periodicamente a aplicação de provas de proficiência presenciais para estrangeiros que realizam cursos de língua portuguesa online. A prova presencial é uma exigência do governo federal.

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Setec e do IFRS