Estudantes e professores do Campus Marabá Industrial, do Instituto Federal do Pará (Ifpa), desenvolveram o projeto EcoLuz Trap, uma armadilha luminosa para captura de mosquitos construída com materiais reaproveitados e componentes de baixo custo. O protótipo visa ajudar no combate à dengue e já está sendo usado na unidade localizada na região de Carajás, Sudeste Paraense.

O equipamento utiliza latas, fios, fontes, LEDs, placas simples e microventiladores de 12 volts. Cada unidade tem custo aproximado de R$ 20, cerca de 80% abaixo do valor de modelos comerciais. O funcionamento do Ecoluz Trap combina iluminação e ventilação para atrair e capturar insetos, modelo que propõe o reaproveitamento de materiais que poderiam ser descartados, além de não incluir o uso de inseticidas. A iniciativa também busca reduzir a dependência de produtos químicos e evitar a captura indiscriminada de outros insetos, especialmente polinizadores.

A proposta surgiu a partir da observação da presença frequente de mosquitos Aedes aegypti em salas, corredores e áreas de convivência do Campus Marabá. A situação também era percebida nas casas dos estudantes e em comunidades próximas, onde foram identificadas condições agravantes como saneamento precário, água parada e acúmulo de resíduos.

Nesse contexto, e orientados por professores da unidade, cinco estudantes do curso técnico integrado em controle ambiental passaram a investigar alternativas para a captura de mosquitos. Eles participaram de etapas como diagnóstico, desenho técnico, construção dos protótipos, testes, registro e análise de dados, identificação dos insetos capturados e realização de oficinas com a comunidade.

Durante os testes, foram comparadas diferentes cores de LED e registrada a quantidade de insetos capturados por hora. Os exemplares coletados também foram observados em laboratório, com identificação de mosquitos dos gêneros Aedes e Culex. Os resultados foram usados pelos estudantes para ajustes nos componentes, na segurança elétrica e na montagem e manutenção dos protótipos.

O projeto relaciona educação ambiental, saúde pública, reaproveitamento de materiais e inovação social. Ao longo de sua concretização, já foram organizadas oficinas de montagem, utilização e manutenção das armadilhas. A equipe produziu ainda cartilha, diário de bordo, vídeos e materiais de divulgação, além de apresentar o EcoLuz Trap em eventos científicos, feiras e mostras.

Reconhecimento – O EcoLuz Trap é destaque em premiações nacionais. Em 2025, o projeto conquistou o terceiro lugar nacional na 12ª edição do Solve for Tomorrow Brasil.

O protótipo também venceu a etapa nacional do IV Prêmio Escolas Sustentáveis em 2026. O resultado foi anunciado em setembro, na categoria que reúne experiências dos anos finais do ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos (EJA). Com a conquista, o Ifpa recebeu o troféu Escola Sustentável e mais de R$ 15 mil.

A premiação também garantiu aos professores passagem aérea, hospedagem e participação na etapa internacional, que será realizada na Cidade do México, em dezembro deste ano. A iniciativa é promovida pela Fundação Santillana e pela Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Setec e do IFPA