Estudantes criaram um protótipo de biofiltro de torneira portátil com biochar de caroço de açaí e fibras de piaçava

FOTO: Divulgação / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar

Estudantes da Escola Estadual (EE) Angelina Palheta Mendes, localizada no município de Barcelos (distante 399 quilômetros de Manaus), serão os representantes da região Norte do Brasil na 13ª edição do programa global Solve For Tomorrow, uma iniciativa de Cidadania Corporativa da Samsung e o principal programa da empresa na América Latina. A equipe, orientada pela professora Francielly Alves e composta pelos alunos Lanna Leticia, Ana Clara Fernandes, Edilson Moraes, Emily Chaul e Felipe Nascimento, construiu um biofiltro de torneira com biochar de açaí e piaçava para comunidades amazônicas, ficando entre os dez melhores projetos da edição.

De acordo com a professora orientadora, Francielly Alves, a ideia do biofiltro surgiu a partir de uma inquietação dos próprios estudantes após ouvir os relatos de que alguns moradores do município estavam sentindo gosto metálico na água consumida em suas casas. Isso despertou o interesse para iniciar uma investigação acerca da qualidade da água e buscar alternativas que fossem acessíveis para a comunidade.

O biofiltro funciona em camadas filtrantes para reter impurezas e reduzir odores. O projeto busca valorizar a biomassa amazônica enquanto desenvolve uma solução de baixo custo adaptada às necessidades hídricas das famílias locais.

“Ao mesmo tempo, observamos que nossa região possui resíduos abundantes, como os caroços de açaí descartados após a produção da polpa e as fibras de piaçava que não são aproveitadas no artesanato. Então, pensamos: por que não unir um problema real da nossa comunidade aos recursos que temos disponíveis? Foi assim que nasceu a proposta do nosso biofiltro, unindo ciência, sustentabilidade e valorização dos recursos amazônicos”, complementou a professora.

Ciência na prática

FOTO: Divulgação / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar

O Solve For Tomorrow trabalha na integração entre o ensino de Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemática, estimulando que os estudantes desenvolvam soluções criativas e inovadoras.

Durante a elaboração do biofiltro, os estudantes trabalharam por meio da investigação de um problema real, formulando hipóteses, construindo protótipos, realizando experimentos e analisando os resultados, tudo isso relacionando conhecimentos de Química, Biologia, Física e Matemática, desenvolvendo o pensamento crítico, a criatividade, o trabalho em equipe e a capacidade de resolver problemas.

“Ser uma das equipes finalistas do Solve for Tomorrow Brasil representa muito mais do que uma conquista para nós, mas o reconhecimento do potencial dos nossos estudantes, da nossa escola pública e da ciência produzida no interior da Amazônia. Então chegar à final é motivo de orgulho e também uma oportunidade de mostrar que a educação pública transforma vidas e que as ideias que nascem na Amazônia merecem ser conhecidas e valorizadas em todo o Brasil”, celebrou a professora Francielly.

Para a aluna Lanna Letícia, da 3ª série do Ensino Médio, o projeto foi essencial para o entendimento de que a Ciência vai muito além da sala de aula. Como finalistas, os estudantes agora se preparam para viajar à São Paulo (SP), onde vai acontecer a 7ª Mostra Solve for Tomorrow Brasil, prevista para 7 de dezembro. Na ocasião, o projeto será apresentado em formato pitch para a Banca Julgadora.

“Para mim, é uma alegria e um orgulho muito grandes ver um projeto que começou dentro da nossa escola chegar tão longe. Participar deste projeto me ensinou que a ciência vai muito além da sala de aula e que nós, estudantes de uma escola pública do interior do Amazonas, também somos capazes de desenvolver ideias que fazem a diferença. Ser finalista é a prova de que vale a pena acreditar no nosso potencial e nos nossos sonhos”, celebrou a aluna Hanna Letícia.